UM PRESENTE

 

Adaptado do livro “Sonhos”, de J.J. Benítez:

 

 

“O tempo não é uma sucessão de horas ou minutos ou séculos.

 

 

O tempo é um grande túnel escuro. No interior do túnel está nossa existência. Ali dentro, caminha um homem com um lampião. Ele vai iluminando as paredes e o que ele encontra em seu caminho. Esse homem se lembra de tudo que viu desde o princípio do túnel, embora – como tudo foi deixado pra trás – já não possa voltar a ver. Tampouco conhece a realidade do restante do túnel, uma vez que ainda não terminou de atravessá-lo.

 

 

O que importa é aquela área diminuta por onde esse homem passa e nós chamamos de “presente”. A vida inteira é uma constante descoberta do presente…

 

 

Se esse homem saísse do túnel, perceberia que tudo é ao mesmo tempo: passado, presente e futuro. Mas o homem já caminhou pelo passado e precisa caminhar o presente para chegar ao futuro.”

 

 

A partir desse texto, pensei:

 

 

Aquele amigo que some e, um dia, aparece na sua vida para te pedir um favor, ele deixa de ser seu amigo? Se, após muito tempo, ele ainda te procura para ajudá-lo, esse, sim, é seu amigo.

 

 

Aquilo que é importante não o é pelo uso freqüente ou por sua presença no presente. Não usamos nossa jóia mais valiosa todos os dias. Não comemos nosso chocolate mais caro de uma vez.

 

 

Aquilo que já te fez mal já não passou? Aquilo que te fez bem, também? Carregamos apenas o que queremos deles.

 

 

Se hoje eu carrego dúvidas, desconfortos e angústia, é porque carrego comigo um incidentes do passado e esperanças do futuro.

 

 

Se não esperarmos nada, um elogio de alguém inesperado num dia inesperado valerá mais do que se carregarmos o futuro e a expectativa conosco?

 

 

Se uma oportunidade de ouro aparece num momento impróprio da sua vida, isso é azar ou apenas um aviso de que um novo caminho no túnel apareceu?

 

 

Seriam os sonhos uma maneira de viajarmos no tempo, sairmos do túnel para visitar o passado e o futuro?

 

 

E se paramos de caminhar no túnel, então paramos com nossa vida?

 

 

Mas o mais importante é saber: ao pararmos, vemos a vida passar, ou a vida pára conosco?

 

 

São respostas que só acharei após atravessar vários túneis. Mas isso não significa que elas já não estão no fim de um deles.

 

 

(post dedicado à mãe da Carlinha; sem ela, não teria voltado com o bololog tão cedo…)

Published in: on maio 26, 2008 at 3:52 am  Comments (3)